{"hits":{"total":{"value":2,"relation":"eq"},"hits":[{"_index":"gesis-21-05-2026-02-00-54","_id":"gesis-solis-00635045","_version":1,"_seq_no":82617,"_primary_term":1,"found":true,"_source":{"title":"Politische Theorie des Komparativs : Soziale Vergleiche und gerechte Gesellschaft","id":"gesis-solis-00635045","date":"2016","date_recency":"2016","portal_url":"http:\/\/sowiport.gesis.org\/search\/id\/gesis-solis-00635045","type":"publication","person":["Nullmeier, Frank"],"person_sort":"Nullmeier","source":"In: Mittelweg 36, Jg. 25, 2016, H. 2, 56-73","links":[],"subtype":"journal_article","publisher":"GESIS","database":"SOLIS - Sozialwissenschaftliches Literaturinformationssystem","document_type":"Zeitschriftenaufsatz","coreAuthor":["Nullmeier, Frank"],"coreJournalTitle":"Mittelweg 36","coreZsband":"Jg. 25","coreZsnummer":"H. 2","corePagerange":"56-73","coredoctypelitadd":["Aufsatz"],"coreLanguage":["Deutsch (DE)"],"coreIssn":"0941-6382","data_source":"GESIS-Literaturpool","link_count":0,"gesis_own":1,"fulltext":0,"index_source":"OUTCITE","literature_collection":"GESIS-Literaturpool"},"system_type":"EXP","doc_rank":1,"rid":28952103},{"_index":"gesis-21-05-2026-02-00-54","_id":"gesis-ssoar-57532","_version":3,"_seq_no":97517,"_primary_term":1,"found":true,"_source":{"title":"Compaix\u00e3o: entre o reconhecimento e a moralidade","id":"gesis-ssoar-57532","date":"2017","date_recency":"2017","abstract":"Partindo dos pressupostos te\u00f3ricos de Axel Honneth, o artigo aqui apresentado visa trazer aspectos correlatos \u00e0 compaix\u00e3o no intuito de ampliar seu entendimento numa perspectiva mais aproximada das Ci\u00eancias Sociais. Realizaremos a analise da compaix\u00e3o tendo como elemento norteador o projeto de extens\u00e3o: Pr\u00e1ticas educacionais para a compaix\u00e3o no cotidiano: exercitando a capacidade de se colocar no lugar do outro, desenvolvido em uma escola p\u00fablica no bairro Alto Santa Terezinha, no Recife, com crian\u00e7as de 05 a 12 anos. O projeto vem sendo desenvolvido de 2012 at\u00e9 o presente ano. O per\u00edodo aqui discutido compreende os anos de 2013 a 2015. Acreditamos que sentimentos podem ou n\u00e3o gerar a\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, ao se tornarem a\u00e7\u00f5es, passam a ser percebidos como um aspecto da moralidade, constituindo um aspecto fundamental da conviv\u00eancia humana e social. Esperamos trazer fundamentos te\u00f3ricos que subsidiem a interse\u00e7\u00e3o entre as pr\u00e1ticas desenvolvidas no projeto e o saber cient\u00edfico, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de um corpo de conhecimento voltado para a Sociologia das Moralidades.","portal_url":"https:\/\/www.ssoar.info\/ssoar\/handle\/document\/57532","type":"publication","person":["Brito, Ana Katarina"],"person_sort":"Brito","source":"In: Idealogando: revista de ci\u00eancias sociais da UFPE, 1, 2017, 3, 18-28","links":[{"label":"URN","link":"http:\/\/nbn-resolving.de\/urn:nbn:de:0168-ssoar-57532-2"}],"subtype":"journal_article","document_type":"Zeitschriftenartikel","coreAuthor":["Brito, Ana Katarina"],"coreSjahr":"2017","coreJournalTitle":"Idealogando: revista de ci\u00eancias sociais da UFPE","coreZsband":"1","coreZsnummer":"3","coreLanguage":"pt","urn":"urn:nbn:de:0168-ssoar-57532-2","coreIssn":"2526-3552","data_source":"GESIS-SSOAR","index_source":"GESIS-SSOAR","database":"SSOAR - Social Science Open Access Repository","link_count":0,"gesis_own":1,"fulltext":1,"metadata_quality":10,"full_text":" COMPAIX\u00c3O: Entre O Reconhecimento E A Moralidade Ana Katarina De Brito 1 RESUMO Partindo dos pressupostos te\u00f3ricos de Axel Honneth, o artigo aqui apresentado visa trazer aspectos correlatos \u00e0 compaix\u00e3o no intuito de ampliar seu entendimento numa perspectiva mais aproximada das Ci\u00eancias Sociais. Realizaremos a analise da compaix\u00e3o tendo como elemento norteador o projeto de extens\u00e3o: Pr\u00e1ticas educacionais para a compaix\u00e3o no cotidiano: exercitando a capacidade de se colocar no lugar do outro 2, d esenvolvido em uma escola p\u00fablica no bairro Alto Santa Terezinha , no Recife, com crian\u00e7as de 05 a 12 anos. O projeto foi desenvolvido entre os anos de 2012 e 2016 . O per\u00edodo discutido neste trabalho compreende os anos de 2013 a 2015. Acreditamos que senti mentos podem ou n\u00e3o gerar a\u00e7\u00f5es, p or\u00e9m, ao se tornarem a\u00e7 \u00f5es, passam a ser percebidos como um aspecto da moralidade , constituindo um aspecto fundamental da conviv\u00eanc ia humana e social. Esperamos trazer fundamentos te\u00f3ricos que subsidiem a interse\u00e7\u00e3o entre as pr\u00e1ticas desenvolvidas no projeto e o saber cient\u00edfico , contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de um corpo de conhecimento voltado para a Sociologia das Moralidades. PALAV RAS - CHAVE: Compaix\u00e3o. Reconhecimento. Moralidades . Sentimento. INTRODU\u00c7\u00c3O Neste trabalho, nosso ponto de partida s\u00e3o os pressupostos te\u00f3ricos de Axel Honneth no seu livro Luta por reconhecimento: a gram\u00e1tica moral dos conflitos sociais , onde o autor procura analisar como os indiv\u00edduos e os grupos soci ais se inserem na sociedad e. Para Honneth , o reconhecimento possui tr\u00eas esferas: amor, direito e solidariedade. Em seguida analisaremos o conceito de compaix\u00e3o, relacionando com os conceitos de piedade e empatia. A moralidade permeia os aspectos da intera\u00e7\u00e3o entre o eu e o outro, por isso \u00e9 importante entender, pelo menos minimamente , sua formula\u00e7\u00e3o. 1 Graduada em Ci\u00eancias Sociais\/Licenciatura, na Universidade Federal de Pernambuco. Email: ana.brito00@gmail.com 2 Projeto de Extens\u00e3o vinculado ao Departamento de Sociologia\/UFPE coordenado pela Professora Dra. Concei\u00e7\u00e3o Lafayette, aprovado pela PROEXT\/UFPE. Revista Idealogando , v. 1, n. 3, p. 1 8 - 28 , 2017 COMPAIX\u00c3O: Entre O Reconhecimento E A Moralidade O reconhecimento, a compaix\u00e3o e a moralidade se relacionam entre si. \u00c9 tamb\u00e9m a partir dessa rela\u00e7\u00e3o que s e estabelece o projeto de extens\u00e3o ( Pr\u00e1ticas educacionais para a compaix\u00e3o no cotidiano: exercendo a capacidade de se colocar no lugar do outro ). AS ESFERAS DO RECONHECIMENTO EM AXEL HONNETH De acordo com Honneth, a inser\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e grupos na sociedade se d\u00e1 atrav\u00e9s da busca do reconhecimento intersubjetivo, essa busca ele nomeia de \u00b3O uta por reconhecimento \u00b4 . Para ele , um aspecto muito importante \u00e9 que no reconhecimento existem tr\u00eas dimens\u00f5es fundamentais: a do amor, a do direito e a da solidariedade ( HONNETH, 2003 ) . A seguir falaremos sobre essas tr\u00eas dimens\u00f5es. RECONHECIMENTO AFETIVO: AMOR A primeira esfera do reconhecimento \u00e9 o Amor, que se desenvolve nas rela\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias. As an\u00e1lises sobre o reconhecimento no campo afetivo come\u00e7am n a rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e e filho, na fase d e depend\u00eancia absoluta, onde o filho e a m\u00e3e s\u00e3o seres indissoci\u00e1veis, tend o como refer\u00eancia o trabalho de Donald W. Winnicott, autor que Honneth se refere com muita \u00eanfase no seu estudo ( HONNETH, 2003 , pp. 164 - 175 ) . Por\u00e9m a m\u00e3e precisa romper este n\u00edvel de identifica\u00e7\u00e3o com o beb\u00ea, iniciando assim a segunda fase, a dep end\u00eancia relativa. \u00c9 a segunda fase a grande respons\u00e1vel para a an\u00e1lise do reconhecimento, quando o amor pode ser concebido de forma mai s madura. Quando o filho percebe que o amor da m\u00e3e \u00e9 duradouro, seguro e confi\u00e1vel, a crian\u00e7a consegue desenvolver a capacidade de estar s\u00f3, ou seja, a crian\u00e7a passa a desenvolver a autoconfian\u00e7a. Assim, Honneth acredita que o amor somente surge quando a crian\u00e7a reconhece o \u00b5RXPUR\u00b6 \u0143RPR XPM SHVVRM LQGHSHQGHQPH\u000f RX VH\u00d3M\u000f TXMQGR R ILOOR QmR HVPi PMLV QXP HVPMGR simbi\u00f3tico com a m\u00e3e. Para Axel Honneth, o amor \u00e9 o fundamento da autoconfian\u00e7a, visto que permite aos indiv\u00edduos conservarem sua identidade e desenv olverem uma autoconfian\u00e7a, sentimento indispens\u00e1vel p ara a sua autorrealiza\u00e7\u00e3o. Portanto, o amor \u00e9 a forma mais elementar e b\u00e1sica de reconhecimento. 19 Revista Idealogando , v. 1, n. 3, p. 18 - 28 , 2017 RECONHECIMENTO JUR\u00cdDICO: DIREITO A segunda esfer a do reconhecimento \u00e9 o Direito e se diferencia do amor em muitos aspectos, podendo ser ressaltado o modo como ocorre o reconhecimento da autonomia do outro. Ou seja, no direito o reconhecimento acontece porque existe respeito ao outro como sujeito de direito . Os indiv\u00edduos compartilham de normas sociais onde d everes e direitos s\u00e3o distribu\u00eddos na sociedade de forma leg\u00edtima. No que se refere ao Direito, Honneth foi influenciado por George H. Mead e Georg W. F. Hegel, percebendo que s\u00f3 podemos chegar a uma compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos como portadores de direitos quando sabemos quais obriga\u00e7\u00f5es temos de observar em face do respectivo outro. ( HONNETH, Axel. 2003 p. 179) O reconhecimento como pessoa de direito tende a aplicar - se a todo sujeito na mesma medida; os direitos individuais se desligam das expec tativas concretas espec\u00edficas dos pap\u00e9is sociais, uma vez que agora competem, em igual medida, a todo homem na qualidade de ser livre, de modo indepe ndente do grau da estima social (ALBORNOZ, 2011 , p. 138) . RECONHECIMENTO DE ESTIMA SOCIAL: SOLIDARIEDADE A terceira e \u00faltima esfera do reconhecimento, descrita por Honneth, \u00e9 a Solidariedade. Se distinguindo do Amor e do Direito ao perceber que o homem precisa al\u00e9m da experi\u00eancia da dedica\u00e7\u00e3o afetiva e do reconhecimento jur\u00eddico, de uma estima social que permit a referir - se positivamente \u00e0 suas propr iedades e capacidades concretas (HONNETH, 2003 , p. 198) . Conclui o autor, que um padr\u00e3o de reconhecimento dessa esp\u00e9cie, s\u00f3 se torna compreens\u00edvel quando houver, por tr\u00e1s dele, um horizonte de valores compartilhados entre si pelos sujeitos envolvidos. Para Axel Honneth , cada forma de reconhecimento tem uma autorrela\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do sujeito (autoconfian\u00e7a no amor, autorrespeito no direito, autoestima na solidariedade). Quando acontece a quebra de alguma dessas autorrela\u00e7 \u00f5es pelo desrespeito, ent\u00e3o surgem as lutas sociais. Na Teoria do Reconhecimento, as no\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a e desrespeito decorrem da no\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia moral, que \u00e9 o ponto de partida para o dimensionamento intersubjetivo de 20 COMPAIX\u00c3O: Entre O Reconhecimento E A Moralidade uma luta por reconheciment o. O desre speito do amor s\u00e3o os maus - tratos e a viola\u00e7\u00e3o, que amea\u00e7am a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica; o desrespeito ao direito s\u00e3o a s priva\u00e7\u00f5es de direitos e exclus\u00e3o, pois isso atinge a integridade social do indiv\u00edduo como membro de uma comunidade pol\u00edti co - jur\u00eddica; o desrespeito da solidariedade s\u00e3o as degrada\u00e7\u00f5es e ofensas, que afetam os sentimentos de honra e dignidade do indiv\u00edduo, como membro de comunidade cultural de valores (SALVADORI, 2011 , p. 191) . A COMPAIX\u00c3O Existe uma grande dificuldade de enc ontrarmos um conceito consensual de compaix\u00e3o. Por isso, tentaremos conceituar a compaix\u00e3o a partir de outros que n\u00e3o equivalem ao da compaix\u00e3o, para , partindo GM \u00b3GLIHUHQoM\u00b4 definir o que de fato pode ser esse sentimento . Este sentimento \u00e9 facilmente confundido com dois outros: empatia e piedade. Entendemos que a compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem uma coisa e nem outra, \u00e9 um sentimento pr\u00f3prio com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. COMPAIX\u00c3O x PIEDADE Um sentimento que muitas vezes \u00e9 associado ao de compaix\u00e3o \u00e9 o de Piedade . Por\u00e9m, trazemos uma vis\u00e3o que separa estes dois sentimentos. A piedade parece atrelada ao desprezo pelo ser pass\u00edvel de piedade e de superioridade pelo que o sente. A compaix\u00e3o por sua vez acontece entre pares, ou seja, nenhu m dessa rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 em VXSHULRULGMGH \u0143RP UHOMomR MR RXPURB e SRU HVPMU QR PHVPR \u00b5QWYHO\u00b6 TXH VH SRGH VHQPLU compaix\u00e3o, se colocando no lugar do outro. Andr\u00e9 Comte - Sponville corrobora: Pode - se ter compaix\u00e3o pelo que se admira como tamb\u00e9m pelo que se conde na. Em compensa\u00e7\u00e3o, parece - me que s\u00f3 temos compaix\u00e3o pelo que respeitamos, ao menos um pouco ( 2009, p. 90) . Assim, ac reditamos como Comte - Sponville que: A piedade \u00e9 sentida de cima para baixo. A compaix\u00e3o, ao contr\u00e1rio, \u00e9 um sentimento horizontal, s\u00f3 tem sentido entre iguais, ou antes, e melhor, ela realiza essa igualdade entre aquele que sofre e aquele (ao lado dele e, portanto, no mesmo plano) que compar tilha do seu 21 Revista Idealogando , v. 1, n. 3, p. 18 - 28 , 2017 sofrimento. Nesse sentido, n\u00e3o h\u00e1 piedade sem uma parte de desprezo ; n\u00e3o h\u00e1 compaix\u00e3o sem respeito ( 2009, p. 90) . Ainda sobre a piedade, muito embora n\u00e3o seja nosso objetivo aprofundar a reflex\u00e3o sobre este sentimento, tendo o abordado, sobretudo para ajudar, a partir da diferencia\u00e7\u00e3o, elucidar o que vem a ser compaix\u00e3o. Acreditamos ser pertinente esclarecer que a piedade n\u00e3o \u00e9 um sentimento que se manifesta apenas entre desiguais. A quest\u00e3o da verticalidade da piedade n\u00e3o es t\u00e1 relacionad a necessariamente \u00e0 s posi\u00e7\u00f5es que o sujeito ocupa nas organiza\u00e7\u00f5es e estruturas sociais, mas em como ele se sentem em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Significa dizer que se p ode gozar de uma mesma circunst\u00e2 ncia cultural\/socioecon\u00f4mica, e ainda assim enxergar o outro em situa\u00e7\u00e3o inferior, digno de piedade. COMPAIX\u00c3O x EMPATIA Entendemos tamb\u00e9m que a compaix\u00e3o seja o \u00faltimo est\u00e1gio do processo emp\u00e1tico. O est\u00e1gio que precede e elicia a a\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o na dor alheia. Uma vez que, se n\u00e3o me compade\u00e7o, posso sentir - me to cado por uma situa\u00e7\u00e3o, ou seja, sentir empatia, mas n\u00e3o me sentir impelido a intervir. Posso julgar que o indiv\u00edduo n\u00e3o mere\u00e7a ajuda\/socorro ou entender que n\u00e3o \u00e9 minha responsabilidade intervir e, assim, apesar de perceber e entender a dor do outro, n\u00e3o f azer nada para interromp\u00ea - la e n\u00e3o apresentar um comportamento de ajuda. A compaix\u00e3o \u00e9 o \u00edmpeto de intervir numa situa\u00e7\u00e3o quando por meio do processo emp\u00e1tico tomamos o c onhecimento de que algu\u00e9m sofre (LAGO, 2010) . Outra forma de conceber a sutil diferen\u00e7 a entre empatia e compaix\u00e3o \u00e9 considerar que o primeiro refere - se a um processo de compartilhamento afetivo, de cont\u00e1gio emocional, enquanto que o segundo refere - se a uma preocupa\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica, a um anseio por socorrer aquele que est\u00e1 em sofrimento. Enquant o a empatia est\u00e1 relacionada ao inc\u00f4modo que sentimos ao ver algu\u00e9m sofrendo, a compaix\u00e3o est\u00e1 relacionada aos comportamentos pr\u00f3 sociais e de ajuda ( ibid .) . MORALIDADE A moral se refere a um conjunto de valores e normas. Para que se possa viver em sociedade \u00e9 necess\u00e1rio que sejam praticadas de formas positivas. Ou seja, a moral s\u00e3o os valores que norteiam a a\u00e7\u00e3o humana inclu\u00edda na consci\u00eancia coletiva. 22 COMPAIX\u00c3O: Entre O Reconhecimento E A Moralidade A moralidade \u00e9 an tes de tudo responsabilidade para com o pr\u00f3ximo, sendo condi\u00e7\u00e3o para a sociabilidade. A moralidade n\u00e3o \u00e9 um produto da sociedade, mas algo que a sociedade manipula e direciona (BENEDIKT, 2002) . Ela se estabelece, a priori , numa rela\u00e7\u00e3o entre o Eu e o Outro . E esse Outro na modernidade est\u00e1 cada vez mais distante . Onde cada sociedade passa a escolher seus pr\u00f3ximos e distantes. Essa dist\u00e2ncia permite que haja menos respon sabilidade entre os indiv\u00edduos. A RELA\u00c7\u00c3O ENTRE RECONHECIMENTO, COMPAIX\u00c3O E MORALIDADE Tendo como base a Teoria do Reconhecimento de Axel Honneth acima descrita, podemos tra\u00e7ar um paralelo a fim de entender melhor a tem\u00e1tica da Compaix\u00e3o, que pode ter seu significado associado ao reconhecimento. Iniciaremos a discuss\u00e3o sobre a compaix\u00e3o part indo do seu significado etimol\u00f3gico, o que explica o fato de ser mal vista em alguns casos. Nas l\u00ednguas derivadas do latim formam a palavra compaix\u00e3o com o prefixo Com - e a raiz Passio , que originariamente significa \u00b5VRIULPHQPR\u00b6B (P RXPUMV OWQJXMV\u000f \u0143RPR po r exemplo, em polon\u00eas, sueco e alem\u00e3o, essa palavra se traduz por substantivo formado com um prefixo equivalente, VHJXLGR GM SMOMYUM \u00b5VHQPLPHQPR\u00b6 (KUNDERA, 2008 , p. 25) . Nas l\u00ednguas derivadas do latim a palavra compaix\u00e3o significa que n\u00e3o se pode olhar o s ofrimento do pr\u00f3ximo com o cora\u00e7\u00e3o frio; e se tem a piedade com mais ou menos o mesmo significado, o que sugere uma verticalidade para com o ser que sofre. E talvez por isso a palavra compaix\u00e3o, de forma geral, inspira desconfian\u00e7a, designando um sentiment o considerado de segunda ordem que n\u00e3o tem muito a ver com o amor. J\u00e1 nas l\u00ednguas que formam a palavra compaix\u00e3o com o substantivo sentimento, a palavra \u00e9 empregada com mais ou menos o mesmo sentido, mas dificilmente se pode dizer que designa um sentiment o mal ou med\u00edocre ( Ibid, p. 25 ) . A compaix\u00e3o tem v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es, mas nesse trabalho a compaix\u00e3o se expressa como a capacidade de se colocar no lugar do outro, tamb\u00e9m pode ser vista como a possibilidade do 23 Revista Idealogando , v. 1, n. 3, p. 18 - 28 , 2017 encontro do 'eu' com o 'outro' resultando na compreens\u00e3o das necessidades desse outro e em uma a\u00e7\u00e3o positiva e ben\u00e9fica voltada para o mesmo. Assim sendo, entendemos a compaix\u00e3o como um sentimento, e deles podem ou n\u00e3o decorrer a\u00e7\u00f5es. E quando deste sentimento derivarem a\u00e7\u00f5es, poderemos perceb\u00ea - las c omo um aspecto da moralidade. Logo podemos descrever a compaix\u00e3o como integrante da moral. A racionalidade e a moralidade caminham lado a lado, e pelo fato de sermos seres racionais \u00e9 que agimos moralmente. Alguns autores, como Schopenhauer entende que a c ompaix\u00e3o seria o fundamento da moral, surgindo como algo espont\u00e2neo que ultrapassa o ego\u00edsmo, garantindo assim a moralidade humana. (GOMES, 2010 ) Rousseau definiu a compaix\u00e3o como a \u00fanica moralidade que \u00e9 pura e natural do homem. Sendo a compaix\u00e3o um padr\u00e3 o moral que deve reger o homem civil. ( ORWIN , 1998 , p. 311 ) Podemos ent\u00e3o estabelecer uma liga\u00e7\u00e3o entre o Reconhecimento, proposto por Axel Honneth, e o sentimento de Compaix\u00e3o, como acima descrito. Ao entendermos o reconhecimento como al\u00e9m de simplesmente enxergar o outro, mas de se enxergar no outro. Encontrando algo dele no outro. Isso n\u00e3o se difere em nada do conceito de compaix\u00e3o, que \u00e9 justamente essa transposi\u00e7\u00e3o ao lugar do outro. Com isso, estabelece - se o princ\u00edpio da alteridade que constitui justamente, a representa\u00e7\u00e3o que um indiv\u00edduo faz do outro passando a identificar - se com ele at\u00e9 que as diferen\u00e7as entre os dois se anul e m. Isso \u00e9 o que ocorre na compaix\u00e3o, o sujeito n\u00e3o cometer\u00e1 danos aos outros, pois reconhece os mesmos sofrimentos exist entes em si . E assim estar\u00e1 disposto a ser solid\u00e1rio, sem nenhum tipo de interesse. E \u00e9 por isso que a compaix\u00e3o pode exerce um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o da sociedade e de sua boa conviv\u00eancia, podendo est\u00e1 presente na constru\u00e7\u00e3o da ordem social sendo u m suporte para as intera\u00e7\u00f5es. PROJETO DE EXTENS\u00c3O : PROJETO COMPAIX\u00c3O A base do referido projeto de extens\u00e3o est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre reconhecimento, compaix\u00e3o e moralidade. O projeto foi desenvolvido de 2012 at\u00e9 2 016 , m as o per\u00edodo aqui discutido compreende os anos de 2013 a 2015 . O projeto foi desenvolvido em uma escola da 24 COMPAIX\u00c3O: Entre O Reconhecimento E A Moralidade rede p\u00fablica municipal do Recife, localizada no bairro Alto Santa Terezinha (regi\u00e3o tida como periferia do Recife - PE ). O p\u00fablico alvo s\u00e3o alunos do ensino infantil e fundamental I, crian \u00e7as de 05 a 12 anos de idade. O projeto foi concebido a partir do conceito de compaix\u00e3o entendida como a capacidade de se colocar no lugar do outro, com o intuito de estimular a capacidade do di\u00e1logo, de melhorar a conviv\u00eancia entre as crian\u00e7as da escola e de, por fim, inaugurar novas possibilidades de partilhar uma vida de maior harmonia. O projeto ocorre semanalmente com a ida dos alunos extensionista s \u00e0 escola onde o projeto \u00e9 desenvolvido. Nessa ocasi\u00e3o, s\u00e3o desenvolvidas, com as crian\u00e7as, din\u00e2micas 3 co m os objetivos de trabalhar habilidades que as tornem capazes de se colocar no lugar do outro. A ideia \u00e9 estimular a empatia, a solidariedade e o sentimento de justi\u00e7a; incentivar a conviv\u00eancia harmoniosa no ambiente escolar e em outras esferas da vida soc ial; estimular a percep\u00e7\u00e3o das \u0143ULMQoMV HP UHOMomR M XP \u00b5RXPUR\u00b6 TXH VHQPH\u000f SHQVM H TXH \u0143RP o elas t\u00eam vontades e desejos que precisam ser conciliados com as vontades e desejos deste outro. Para a realiza\u00e7\u00e3o das atividades, utilizam - se materiais diversos: desde sucatas at\u00e9 tela para pintura e outros materiais que possibilitam a confec\u00e7\u00e3o de objetos como porta - retratos, porta - l\u00e1pis, entre outros. A execu\u00e7\u00e3o desses objetos auxilia na fixa\u00e7\u00e3o da ideia central do projeto, pois relaciona a elabora\u00e7\u00e3o dos mesmos \u00e0 no\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o, veiculada a partir da UHJUM GRXUMGM\u001d \u00b3QmR IMoM MR RXPUR R TXH QmR TXHU TXH IMoMP M YR\u0143r\u00b4B 7MPNpP UHIRUoM M autoestima das crian\u00e7as, que se sentem mais habilitadas por confeccionarem objetos com utilidades definidas para serem usados p or eles ou presenteados. Essa pr\u00e1tica permite uma atitude de reconhecimento pelas habilidades desenvolvidas, aspecto fundamental na constitui\u00e7\u00e3o do sujeito. A no\u00e7\u00e3o de alteridade, presente no sentimento da compaix\u00e3o ao despertar a percep\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 inter depend\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 entre os seres humanos, mas tamb\u00e9m entre estes e a natureza, revela que a forma de intera\u00e7\u00e3o que ocorre na sociedade impacta na din\u00e2mica social como um todo. Assim, atitudes compassivas podem provocar mudan\u00e7as positivas na 3 Sobre as din \u00e2micas realizadas no projeto vide PEDROSA, M\u00f4nica. O encontro entre o Eu e o Outro: um estudo explorat\u00f3rio sobre a compaix\u00e3o como capacidade humana (2013) . 25 Revista Idealogando , v. 1, n. 3, p. 18 - 28 , 2017 conviv\u00eancia hu mana e a compreens\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel estabelecer rela\u00e7\u00f5es mais harmoniosas na sociedade . CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS A educa\u00e7\u00e3o pode surgir como uma ferramenta importante atrav\u00e9s da qual os agentes humanos dialoguem com a comunidade no sentido de desenvolver pr \u00e1ticas de conviv\u00eancia com base numa \u00e9tica que supere diferen\u00e7as de valores, cren\u00e7as, religi\u00f5es, etc. \u00c9 dentro desse entendimento que o projeto Pr\u00e1ticas educacionais para a compaix\u00e3o no cotidiano: exercendo a capacidade de se colocar no lugar do outro tem c omo objetivo desenvolver com crian\u00e7as a capacidade de se colocar no lugar do outro como habilidade imprescind\u00edvel para o desenvolvimento de pr\u00e1ticas compassivas e altru\u00edstas na vida cotidiana. Voltada para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais solid\u00e1ria e jus ta, a pr\u00e1tica da compaix\u00e3o seria uma \u0143MSM\u0143LGMGH PMU\u0143MQPH GR VHU OXPMQR TXH VHP R \u00b3RXPUR\u00b4 QmR VH GHILQH\u000f QH\u0143HVVLPMQGR\u000f SRUPMQPR\u000f da conviv\u00eancia interativa. O projeto, por sua natureza de extens\u00e3o universit\u00e1ria, n\u00e3o teve como objetivo a coleta e an\u00e1lise de d ados, e sim o desenvolvimento de pr\u00e1ticas educacionais, capazes de despertar a compaix\u00e3o, sociologicamente orientadas. Ainda assim, com vistas \u00e0 an\u00e1lise da efic\u00e1cia dos SUR\u0143HGLPHQPRV\u000f VmR UHMOL]MGMV UHXQL}HV VHPMQMLV QMV TXMLV VH GLV\u0143XPHP \u00b3LQGL\u0143MGRUHV\u00b4 \u0143RO hidos atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o do comportamento das crian\u00e7as, dos coment\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tem\u00e1ticas abordadas e tamb\u00e9m atrav\u00e9s do retorno dos professores da escola que s\u00e3o muito receptivos ao projeto. REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS ALBORNOZ, Suzana Guerra. As Esferas do Reconhecimento: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Axel H onneth . Cadernos de psicologia social do trabalho , vol . 14, n. 1, 2011, p. 127 - 143. BAUMAN, Zygmunt. Amor L\u00edquido : sobre a fragilidade dos la\u00e7os humanos . T ra du\u00e7\u00e3o de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. BENEDIKT, Adriana. Moralidade e Responsabilidade em Tempos Sombrios . Sociologias , Porto Alegre, ano 3, n\u00ba 6, jul\/dez 2001, p. 266 - 279 COMTE - SPONVILLE, Andr\u00e9. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Tradu\u00e7\u00e3o de Eduardo Brand\u00e3o. 2\u00aa Ed. S\u00e3 o Paulo: Ed itora WMF Martins Fontes, 2009. GOMES, La\u00e9cio de A. O Princ\u00edpio de Alteridade na \u00c9tica da Compaix\u00e3o de Artur Schopenhauer . Cadernos do PET filosofia , vol. 1, n. 2, 2010 . 26 COMPAIX\u00c3O: Entre O Reconhecimento E A Moralidade HONNETH, Axel. Luta por Reconhecimento: a gram\u00e1tica moral dos conflitos sociais. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2003 . KOURY, Mauro Guilherme Pinheiro. Emo\u00e7\u00f5es, Sociedade e Cultura : a categoria de an\u00e1lise emo\u00e7\u00f5es como objeto de investiga\u00e7\u00e3o na sociologia. Curitiba: Editora CRV, 2009. KUNDERA, Milan. A I nsustent\u00e1vel Leveza do S er . 1\u00aa e d. S\u00e3o Paulo: Editora Companhia das Letras, 2008 . LAGO, Kennyston. Fadiga por Compaix\u00e3o : o sofrimento dos profissionais em sa\u00fade. Petr\u00f3polis, R io de J aneiro : Vozes, 2010. ORWIN, Clifford. Rosseau, a Compaix\u00e3o e as Crises da Modernidade . An\u00e1lise social , vol. 33, 1998, p. 307 - 321 . PEDROSA, M\u00f4nica. O Encontro entre o Eu e o Outro : um estudo explorat\u00f3rio sobre a c ompaix\u00e3o como capacidade humana . (Monografia). Recife: Centro de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Universidade Federal de Pernambuco, 2013. SALVADORI, Mateus. H onneth , A xel . L uta por R econhecimento : a gram\u00e1tica moral dos conflitos sociais . Conjectura , Caxias do Sul , Vol. 16, n.1, jan.\/abril 2011. 27 Revista Idealogando , v. 1, n. 3, p. 18 - 28 , 2017 ABSTRACT: Based on the theoretical assumptions of Axel Honneth , this article aims to bring aspects related to compassion in order to broaden its understanding in a closer perspective of the Social Sciences. We will perform the analysis of compassion having as a guiding element the extension project: Educational pract ices for compassion in everyday life: exercising the ability to put oneself in the other's shoes , developed in a public school in the Alto Santa Terezinha neighborhood, Recife, with children from 5 to 12 years. The project was developed between the years o f 2012 and 2016. The period discussed in this work comprises the years 2013 to 2015. We believe that feelings may or may not generate actions, but when they become actions, they come to be perceived as an aspect of morality, that constitute a fundamental a spect of human and social coexistence. We hope to bring theoretical foundations that subsidize the intersection between the practices developed in the project and the scientific knowledge, contributing to the formation of a body of knowledge focused on the Sociology of Moralities. KEYWORDS : Compassion. Recognition. M oralities. Feeling. Recebido em: 07\/05\/2017 Aprovado em: 05\/10\/2017 28 ","related_references":[{"view":"ALBORNOZ, S. G. (2011). As Esferas do Reconhecimento: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Axel Honneth. Cadernos de psicologia social do trabalho, 14 pp. 127-143.<\/a> ","pdf_url":""},{"view":"BAUMAN, Z., Zahar, R. (2004). Amor L\u00edquido: sobre a fragilidade dos la\u00e7os humanos. Tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar. Rio de Janeiro. Jorge Zahar.<\/a> ","pdf_url":""},{"view":"BENEDIKT, A. (n.d.). Moralidade e Responsabilidade em Tempos Sombrios. Sociologias, Porto Alegre: pp. 266-279.","pdf_url":""},{"view":"COMTE-SPONVILLE, A. (2009). Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Tradu\u00e7\u00e3o de Eduardo Brand\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora WMF Martins Fontes.","pdf_url":""},{"view":"GOMES, L. d. A. (2010). O Princ\u00edpio de Alteridade na \u00c9tica da Compaix\u00e3o de Artur Schopenhauer. Cadernos do PET filosofia, 1.<\/a> ","pdf_url":""},{"view":"HONNETH, A. (2003). Luta por Reconhecimento: a gram\u00e1tica moral dos conflitos sociais. S\u00e3o Paulo, SP: Editora. S\u00e3o Paulo: Editora, 34.<\/a> ","pdf_url":""},{"view":"KOURY, M. G. P. (2009). Emo\u00e7\u00f5es, Sociedade e Cultura: a categoria de an\u00e1lise emo\u00e7\u00f5es como objeto de investiga\u00e7\u00e3o na sociologia. Curitiba: Editora CRV.<\/a> ","pdf_url":""},{"view":"KUNDERA, M. (2008). A Insustent\u00e1vel Leveza do Ser. S\u00e3o Paulo: Editora Companhia das Letras.<\/a> ","pdf_url":""},{"view":"LAGO, K. (2010). Fadiga por Compaix\u00e3o: o sofrimento dos profissionais em sa\u00fade. Petr\u00f3polis, Rio de Janeiro: Vozes.","pdf_url":""},{"view":"ORWIN, C. (1998). Rosseau, a Compaix\u00e3o e as Crises da Modernidade. An\u00e1lise social, 33 pp. 307-321.<\/a> ","pdf_url":""},{"view":"PEDROSA, M. (2013). O Encontro entre o Eu e o Outro: um estudo explorat\u00f3rio sobre a compaix\u00e3o como capacidade humana. Recife: Centro de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Universidade Federal de Pernambuco.","pdf_url":""},{"view":"SALVADORI, M. H., A. (2011). Luta por Reconhecimento: a gram\u00e1tica moral dos conflitos sociais. Conjectura, Caxias do Sul, 16.<\/a> ","pdf_url":""}]},"system_type":"BASE","doc_rank":2,"rid":28952103}]}}